cruzeiro pelo mediterrâneo

Mais do que um roteiro: como um cruzeiro pelo Mediterrâneo conectou séculos de história entre Itália e Grécia

por Daniele Polis

A Europa é um lugar mágico para quem ama História. Quando a gente pensa que por ali passaram diversas civilizações e culturas por milhares de anos, e que é possível ver tudo de perto, é meio impossível não se emocionar. Roma é uma das minhas cidades preferidas do mundo, e ela sempre me tirou o fôlego como se cada vez que a visitei fosse a primeira. Pisar onde literalmente a História aconteceu é algo que ainda me deixa sem palavras.

E, apesar de todos os meus textos aqui contarem as minhas experiências de viagem, esse provavelmente vai ser um dos mais pessoais. Porque navegar pelo Mediterrâneo foi um dos momentos mais marcantes da minha vida.

Antes dos carros, dos trens, dos aviões, ele estava ali. O mar. Aquela imensidão azul que serviu de estrada, por muitos e muitos anos, para barcos em toda a história da humanidade. E por isso ver a Europa da ótica do Mediterrâneo mudou algo dentro de mim, e eu só percebi isso depois que desembarquei em Civitavecchia depois de uma semana explorando diversos países e cidades usando o mar como caminho.

Claro, a resposta mais “turista” é que um cruzeiro pelo Mediterrâneo é a forma mais prática e fácil de explorar muitas cidades em um curto espaço de tempo, ainda que cada dia represente apenas uma amostra grátis do que cada parada tem a oferecer, pelo tempo atracado. A resposta mais filosófica é: observar tudo do ponto de vista de alguém que viveu algumas centenas de anos atrás torna tudo mais poético.

Eu adoro ver as cidades da janela do avião. Mas ver cidades na linha do horizonte da varanda da minha cabine fez com que eu me apaixonasse completamente por um cenário bem pouco explorado, e que sofre um pouco de preconceito. Eu sei porque eu era uma destas pessoas. E só quando eu voltei, entendi que aquele roteiro não ligava apenas cidades, mas conectava capítulos inteiros da história da Europa.

E eu vou levar você comigo nessa viagem.

cruzeiro pelo mediterrâneo
O mar visto da cabine do navio | Foto: Trippolis

Mediterrâneo: Um mar que ajudou a construir a Europa

Nunca o Mediterrâneo esteve tão em evidência como recentemente. Se você rolou as suas redes sociais, as praias se tornaram tendência entre viajantes do mundo inteiro, especialmente as da Itália e da Grécia, com suas enseadas cristalinas, Sol e clima ameno. Há alguns anos, a dieta mediterrânea foi febre e ganhou muitos entusiastas. A Odisseia, filme de Christopher Nolan e inspirado no livro de Homero, levou Troia para os cinemas, e lá estava o mar. Mas o Mediterrâneo molda e ajuda a construir a Europa há milhares de anos, sendo parte fundamental da história do continente.

Para isso, vamos falar um pouco sobre o Mediterrâneo em si. Além de conectar três continentes, Europa, África e Ásia, também tem importante elo de ligação com o Oceano Atlântico, o Mar Negro e o Mar Vermelho. Isso fez com que ele se tornasse uma via de acesso fundamental para o transporte e comércio. O mediterrâneo também foi o berço de grandes civilizações, como os gregos, fenícios, egípcios e, claro, o Império Romano.

Quando a gente pára para pensar quantos impérios e civilizações cruzaram o mar e como toda essa troca moldou a cultura que conhecemos, a gente entende que não está apenas em um navio confortável navegando por anos de história. E isso torna cada parada ainda mais especial.

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O mar de gente na Fontana di Trevi | Foto: Trippolis

Meu roteiro foi Roma/Civitavecchia (Itália), Santorini (Grécia), Kusadasi/Éfeso (Turquia), Mykonos (Grécia), Nápoles (Itália) e chegando em Roma. Então vamos falar de cada uma destas paradas mais abaixo.

Roma: o império que se expandiu pelo mar

O navio partiu de Civitavecchia, cidade portuária que fica a cerca de 70 km de Roma.

Roma é uma das minhas cidades preferidas do mundo, uma cidade que é uma mistura de história, cultura e gastronomia e que, claro, foi o berço do Império Romano. Praticamente um museu a céu aberto. 

Eu ainda acho louco o fato de você poder caminhar sobre pedras onde a história aconteceu, ver os vestígios do império em museus, praças e demais locais públicos enquanto toma um gelato ou se delicia com um vinho. E por isso eu cheguei alguns dias antes e aproveitei a cidade que inspirou e influenciou centenas de milhares de pessoas ao longo de milhares de anos.

Quando peguei o trem para Civitavecchia, comecei a me deparar com o caminho que foi tão importante para a capital. Não à toa, os Romanos chamavam o Mediterrâneo de Mare Nostrum (Nosso Mar), porque por ali passavam não só o abastecimento do Império, através da importação de grãos e outros alimentos, mas porque ali também estava um caminho vital para a expansão e a riqueza, já que a rota era passagem de transporte de itens valiosa e também a via de acesso para que as Legiões se deslocassem.

Conforme fui chegando perto do mar, fui me conectando mais com essa Roma. E confesso que me arrependi um pouco de não ter ido visitar Civitavecchia, que descobri depois ter muito mais a oferecer do que o porto de passageiros. Além de ter ainda ruínas da época do Império, as Termas Taurinas, ainda tem um museu e o forte que fazem parte da história da cidade. Ficou para uma próxima. Porque o porto estava ali, e dali partiria o navio que me levaria para o próximo destino.

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Dentro do navio, com Civitavecchia ao fundo | Foto: Trippolis

Santorini: A geografia que mudou a história

Santorini foi a primeira parada do navio, e foi uma experiência que começou antes da chegada na cidade.

Foram quase dois dias em alto mar, navegando pelo Mediterrâneo e sem conexão com o mundo exterior (sim, me recusei a pagar a fortuna que custava a Internet no navio). Por duas manhãs, eu acordei e tudo o que vi da cabine da minha varanda foi a imensidão do mar que se misturava com o céu azul do começo do verão. Em tempos onde ficamos ligados o tempo todo, foi uma experiência curiosa ficar sem dar sinal de vida para ninguém, e que com certeza me fez pensar como eram naqueles tempos onde as pessoas ficavam meses e, às vezes, até anos sem se comunicar umas com as outras.

Pouco antes do almoço, o navio atracou em Santorini e ali estava ela, a cidade que literalmente foi modificada por um vulcão.

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Santorini vista de um dos barcos auxiliares | Foto: Trippolis

Antes de ser a cidade dos domos azuis e de vistas deslumbrantes, Santorini era o berço da civilização Minoica. Tudo mudou com a erupção do vulcão Santorini: uma das maiores já registradas da história, que lançou cinzas, rochas e gás na atmosfera, destruiu cidades e fez com que o centro da antiga ilha afundasse, formando a grande cratera que hoje define a geografia de Santorini. Muitos historiadores atribuem ao mito de Atlântida uma grande inspiração desse acontecimento, e eu acho que faz bastante sentido.

O navio não atraca na cidade. Ele fica paradono meio do mar e você desce por barcos auxiliares para chegar até a ilha. Eu achei isso bem poético, eu não vou negar. Enquanto esperava meu grupo ser chamado para embarcar, eu me perdi ali olhando as montanhas rochosas com os topos brancos, as famosas casinhas que vista de longe pareciam tão pequenas ante a imensidão do mar e das pedras. 

Santorini é bem conhecida por ter um pôr-do-sol dos mais lindos do mundo, pela vista deslumbrante. E quando eu cheguei lá no topo, um bondinho e muitos passos depois, eu entendi porque todo mundo se apaixonava por Santorini. A vista é realmente deslumbrante.

Fui em Fira a Oia, os olhos curiosos olhando a cidade com atenção, e a cada curva lá estava ele, o mar, o pano de fundo perfeito para uma cidade que parecia até de mentira com todas as construções incrustadas nas pedras, as igrejas de domo azul e as lojinhas e restaurantes que recebiam milhares de turistas.

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Fira e Oia, em Santorini | Foto: Trippolis

Vendo os barcos levando viajantes para pontos distintos da ilha, foi impossível não pensar como era tudo antes da tragédia que mudou para sempre a cidade, e como ela se reconstruiu em sua nova realidade. Antes, a ilha era um importante ponto de conexão entre civilizações. Hoje, é um importante ponto de conexão entre diversas ilhas gregas que atraem pessoas do mundo inteiro.

Foi difícil me despedir de Santorini. O pôr-do-sol não foi visto de Oia, mas sim de dentro do navio, cortesia do verão com claridade até depois das 21h,  e foi poético também de certa forma. Ver o Sol tingir a cidade e o mar foi de uma magia que me deixou fascinada, e eu entendi porque tantas pessoas se apaixonam por Santorini. Porque eu saí de lá apaixonada também.

 Éfeso: onde Oriente e Ocidente se encontravam 

A parada seguinte foi em Kusadasi, na Turquia. O ponto mais famoso da cidade, que leva milhares de curiosos, é o Éfeso. E foi lá que eu fui parar também.

Éfeso era o principal ponto de encontro entre o Oriente e o Ocidente, pela sua localização, já que conectava o Mediterrâneo à Ásia. Com isso, tornou-se um ponto comercial importante para circulação de mercadorias entre os continentes.

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O letreiro indicando que chegamos em Kusadasi | Foto: Trippolis

E a cidade é tão única que é berço de pontos importantes da História: de um lado, no Museu Arqueológico de Éfeso, ficam o Templo de Artemis (uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo) e a Biblioteca de Celso (uma das maiores bibliotecas do mundo antigo, que simbolizava o acúmulo de conhecimento entre filósofos gregos, romanos e orientais). Do outro, o Cristianismo, por conta de ser o berço de Paulo e João e onde fica a Casa de Maria, que atrai peregrinos do mundo inteiro.

Caminhar pelo sítio arqueológico de Éfeso é fazer uma viagem no tempo. Quando a gente pára para pensar que Cleópatra e Marco Antônio andaram pelas mesmas ruas de pedras em que estávamos, me deu um nó na cabeça. Pensar na quantidade de pessoas e de histórias que cruzaram por ali, é sem palavras. Foi um dos lugares mais incríveis que já visitei na vida

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A impressionante Biblioteca de Celso, em Éfeso | Foto: Trippolis

Voltamos para Kusadasi e o almoço foi o Kebab de cordeiro com vista para o mar. De sobremesa o sorvete da casquinha “mágica” (aquele mesmo viralizado da internet) também com vista para o mar. Este mesmo mar era o início e o fim de todos os dias.

E assim voltei para o navio, me despedindo de Kusadasi da minha varanda enquanto seguia para o próximo destino. 

Mykonos: uma ilha mitológica envolta pelos ventos 

O navio atracou cedo e o café da manhã foi com a vista para Mykonos no Porto Novo. Eu confesso que achei que minha paixão por Santorini seria imbatível, mas aí eu conheci Mykonos e algo dentro de mim acendeu mais forte.

A cidade é bem conhecida por festeiros, e o destino se popularizou muito para amantes de balada, sejam elas em beach clubs durante o dia, ou em lugares fechados madrugada fora.  Mas a cidade guarda uma série de histórias da mitologia e uma cena arquitetônica que chamam tanto a atenção quanto qualquer música alta tocando. Você sabia que, segundo a lenda, a ilha surgiu dos gigantes derrotados por Hércules e seus corpos são as grandes rochas que estão por lá? Ou que o labirinto formado pelas casinhas brancas e as ruelas estreitas foram desenhadas para refletir o sol forte e confundir invasores piratas no passado?

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A área do Porto Antigo de Mykonos | Foto: Trippolis

Agora, o que me surpreendeu mesmo foi o vento. Eu não fazia a menor ideia que ventava tanto assim na ilha! Mas eu deveria imaginar quando vi que um dos principais pontos turísticos de lá são os Moinhos de Mykonos. O vento é tão forte que, há alguns séculos, era o combustível que abastecia os moinhos para produção de farinha, tanto para comércio local como para exportação.  

Pegamos um barco até o porto antigo, vendo a cidade de um lado e o mar de outro. Andamos pelos moinhos, pelas ruelas, pela Pequena Veneza (que sim, foi inspirada na da Itália) e entre casinhas brancas e lojas de grife eu fui vendo aquela Grécia que sempre esteve nos meus sonhos.

E como boa turista que sou, resolvi que queria passar a tarde em um beach club, aproveitando o vento, o Sol e o mar. E assim pegamos o ônibus que nos levou para a praia de Elia.

Com certeza foi o combo cadeira + guarda-sol mais caro da minha vida (70 euros para duas pessoas), mas eu pagaria novamente de olhos fechados. Aquele mar de cor cristalina, a areia fofa (para os padrões europeus), o Sol forte e a brisa… Provavelmente nunca vou esquecer. Quando resolvi dar um mergulho, e depois de passar o choque da água super gelada mesmo com a temperatura marcando 30°C, fui surpreendida pelos peixes nadando pertinho de nós banhistas, coroando aquele dia.

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Os Moinhos de Mykonos e o Beach Club em Elia | Foto: Trippolis

Pegamos o ônibus de volta para o Porto Velho, e depois a lancha para o Porto Novo, que era onde estava nosso navio. Despedir-me de Mykonos a partir do barco, olhando o Sol tingindo aquele mar que parecia de mentira enquanto barcos simples e iates cruzavam nosso caminho, fez com que algo dentro de mim se apaixonasse mais uma vez. 

Assim que voltei para minha cabine e fui me despedindo da cidade aos poucos, fiz a promessa silenciosa de voltar assim que possível.

E Mykonos sumiu do meu campo de visão para que eu pudesse seguir nessa jornada.

Nápoles: onde a Itália conversa com a Grécia Antiga

Após mais dois dias em alto mar, cheguei na minha última parada: Nápoles.

Nápoles é caótica. É intensa. É histórica. É maravilhosa. E a gente entende isso quando chega lá e vê que a bagagem da cidade é de milhares de anos.

A cidade fica na então chamada Magna Graecia (Grande Grécia), que não era apenas uma cópia da Grécia continental, mas superava muitas de suas metrópoles na riqueza, filosofia e ciência, com Nápoles sendo o principal centro. E a cidade se agarrou às suas origens gregas mesmo depois da conquista romana, com as referências helênicas espalhadas por todos os lugares: o nome Napoli é uma derivação do grego Neapolis (Nova Cidade). Em todos os cantos,. está espalhada a palavra Partenopei, em alusão ao assentamento de Parténope, batizado em homenagem à sereia da mitologia grega. 

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Nápoles do alto com o Vesúvio ao fundo | Foto: Trippolis

Hoje, Nápoles é um dos destinos preferidos dos amantes da gastronomia. E eu tenho que concordar, porque de todos os lugares que paramos, foi a melhor comida. Porque comer em Nápoles não é apenas se alimentar. São anos de história e tradição que tornam cada prato único. A pizza napolitana, famosa no mundo inteiro, herda a moagem e o uso de cereais introduzidos pelos colonos gregos. A Sfogliatella e a Pastiera utilizam ricota e aromas que remetem diretamente aos doces de mosteiro da tradição bizantina e grega. E claro que tem ali os ingredientes do mediterrâneo, responsáveis por dar ainda mais sabor a cada um dos pratos, principalmente graças à tríade azeite de oliva, alho e ervas.

Andar pela cidade é aquela mistura de caos com história. Entre caminhadas por ruas, monumentos e ladeiras, a gente entende as referências gregas das plateiai (avenidas principais) e as stenopoi  (ruas secundárias e mais estreitas) Por isso, em Nápoles, é tão fácil se perder quanto se encontrar. E casualmente a gente se acha na frente de alguma delícia culinária que nos dá ainda mais energia para continuar. 

Nosso tempo era curto, então fomos para o Castel Sant’Elmo ver a cidade lá de cima, e ali conseguimos ter a dimensão de como ela é gigante. O Vesúvio de um lado, a Ilha de Capri do lado. E lá embaixo o caos da vida acontecendo.

Descemos e nos perdemos a pé pela Spaccanapoli, passando por praças, monumentos e murais em homenagem ao Maradona, ídolo da cidade. Foram diversos pratos e doces apreciados ao longo do percurso. Granita, gelato, pasta, sfogliatella. Fiquei triste porque não consegui comer tudo que eu queria, como a tradicional pizza, mas simplesmente não cabia. 

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A orla de Nápoles e a Granita de Morango | Foto: Trippolis

Assim como não consegui comer tudo, não consegui visitar tudo que eu queria. Faltaram o Museu Arqueológico Nacional e a Nápoles subterrânea, além da ida para Pompeia. Mas é como eu gosto de pensar sempre quando gosto de um lugar que não consegui fazer tudo: tenho um bom motivo para voltar. Porque Nápoles tem muito mais a oferecer além do roteiro que cabe em algumas horas da parada do cruzeiro.

Voltei para o navio levando algumas delícias napolitanas comigo a bordo, e conforme a cidade foi ficando longe, fui vendo como aquela jornada pelo Mediterrâneo me mudou para sempre

O Mediterrâneo continua conectando culturas

Não importa se antes ou depois de Cristo, o mar Mediterrâneo continua sendo um grande elo da história humana, garantindo que a ponte entre civilizações continue intacta. 

Se antes eram os comerciantes que navegavam por ali em busca da compra e venda de produtos, hoje os turistas cumprem esse papel, explorando sítios históricos e movimentando a economia local. Se antes os peregrinos seguiam em busca da fé, hoje pesquisadores vasculham cantos inexplorados para tentar explicar mais das ciências e da história da humanidade.

E por muito mais anos, o Mediterrâneo vai continuar sendo o palco ou o plano de fundo de grandes histórias, sejam daqueles que querem viver um Euro Summer, daqueles que querem aproveitar a culinária ou daqueles que querem ir em busca de aprendizado.

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O mar visto da minha cabine | Foto: Trippolis

O que mudou em mim após uma semana no mar?

Quando o navio atracou em Civitavecchia uma semana depois, eu percebi que o protagonista daquela viagem toda tinha sido o Mediterrâneo. Cada porto e cada parada contou uma história diferente, mas todas elas faziam parte da mesma narrativa: a formação da Europa.

Durante milhares de anos, o Mediterrâneo aproximou povos, foi uma via de acesso e ajudou a construir a identidade cultural da Europa, Hoje, o Mediterrâneo nos conecta a todas essas histórias, para que possamos escrever as nossas próprias.

E eu, que embarquei cheia de preconceitos de uma viagem de navio, desembarquei com uma bagagem repleta de histórias e momentos que uma viagem pelo céu jamais seria capaz de proporcionar. E não vou negar, quero muito repetir a dose.

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